Popularização Científica nas Instituições Acadêmicas

por Marco Antonio Portugal
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A popularização da ciência nunca foi tão crucial. Em um mundo movido por informações rápidas e, por vezes, desencontradas, levar o conhecimento científico de forma clara e acessível para todos é um desafio e uma necessidade. Este artigo se propõe a ser um guia. Vamos explorar os objetivos centrais deste decreto e, mais importante, como as instituições de ensino e pesquisa, especialmente as de pós-graduação, podem se engajar ativamente para transformar essas diretrizes em realidade, aproximando a ciência do cotidiano das pessoas.

Recentemente, um importante passo foi dado para fortalecer a conexão entre a ciência e a sociedade brasileira. O DECRETO Nº 11.754, de 25 de outubro de 2023, surge como um marco legal fundamental. Ele institui o Programa Nacional de Popularização da Ciência, conhecido como Pop Ciência, e também o Comitê de Popularização da Ciência e Tecnologia, o Comitê Pop. Mas o que isso significa na prática?

O Decreto Pop Ciência: Fundamentos e Objetivos Estratégicos

O Programa Nacional de Popularização da Ciência, ou Pop Ciência, é a espinha dorsal do novo decreto. Seu propósito é ambicioso e vital. Busca-se, fundamentalmente, desenvolver uma cultura científica robusta em todo o país. Além disso, o programa visa estimular a prática da ciência, da tecnologia e da inovação. O grande objetivo final é promover a inclusão social e, consequentemente, ajudar a reduzir as profundas desigualdades que ainda marcam nossa sociedade. É um chamado para que a ciência seja uma ferramenta de transformação.

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Para que o Programa Pop Ciência ganhe vida e seja efetivo, foi criado o Comitê de Popularização da Ciência e Tecnologia, o Comitê Pop. Este comitê não é apenas um nome no papel. Ele funcionará como um órgão consultivo, diretamente ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Sua principal missão será auxiliar no detalhamento e na implementação das diversas ações que compõem o Programa Pop Ciência. Será, portanto, uma peça-chave na engrenagem que moverá a popularização científica no Brasil nos próximos anos.

O coração do Decreto nº 11.754 reside em seus objetivos estratégicos, detalhados no Artigo 2º. Eles são o mapa que guiará as ações de popularização da ciência. Compreendê-los é o primeiro passo para que pesquisadores, estudantes de pós-graduação e coordenadores de curso possam alinhar suas iniciativas.

Um dos pilares do decreto é a promoção da alfabetização e do letramento científicos da sociedade brasileira. Isso significa ir além dos muros da academia. É preciso levar o conhecimento científico para diversos grupos sociais, com um foco especial na juventude e nos trabalhadores. A ciência não pode ser um dialeto para poucos; precisa ser uma linguagem compreensível e relevante para muitos, capacitando cidadãos para entenderem e participarem de debates importantes.

O decreto enfatiza fortemente a necessidade de promover a diversidade, a equidade e a inclusão no campo científico. Isso inclui o estímulo à participação de meninas e mulheres, pessoas com deficiência, indígenas, pessoas negras, comunidades tradicionais e a população LGBTQIA+. Além disso, há um claro direcionamento para que as iniciativas de popularização respeitem o meio ambiente, a vasta diversidade regional e cultural do Brasil, e valorizem os saberes tradicionais e suas tecnologias. A ciência deve refletir a pluralidade da nossa nação.

Outro ponto crucial é o incentivo ao uso de tecnologias digitais para popularizar a ciência. O objetivo é promover a inclusão digital e fomentar a inovação na forma como o conhecimento científico é divulgado. O decreto também estimula o desenvolvimento de processos inovadores de comunicação pública da ciência. Isso significa buscar novas linguagens, formatos e plataformas que engajem o público de maneira mais eficaz, tornando a ciência mais atraente e acessível a todos os públicos.

Para que a ciência floresça, é preciso fortalecer a cultura científica desde a base. O decreto incentiva atividades que estimulem a inovação, a criatividade, a investigação científica e a interdisciplinaridade no ensino e na aprendizagem das ciências. Também prevê o fomento à pesquisa e à formação qualificada em divulgação científica em todos os níveis educacionais. Apoiar projetos que deem visibilidade aos benefícios da ciência e que valorizem os cientistas e os aspectos históricos e humanísticos da ciência é igualmente fundamental.

Em tempos de notícias falsas e narrativas anticientíficas, o combate à desinformação é uma prioridade. O decreto estabelece a importância da educação midiática e digital como ferramentas para enfrentar esse problema. A popularização da ciência tem um papel central nisso, ao fornecer informações confiáveis e desenvolver o pensamento crítico na população. É uma batalha que precisa ser travada com conhecimento e clareza, e as instituições de ensino são protagonistas nesse esforço.

Além dos pontos já destacados, o decreto aborda outras frentes essenciais. A cooperação nacional e internacional na popularização da ciência é incentivada, assim como o combate às assimetrias regionais no acesso e produção de conhecimento. Prevê-se a capacitação de jovens no ensino superior, inclusive por meio de bolsas para alunos oriundos de feiras de ciências e olimpíadas. A preservação de acervos científicos e culturais, o fomento à educação popular, a realização de pesquisas de percepção pública sobre C&T&I e a promoção de debates e consultas públicas também são contemplados, mostrando a abrangência da iniciativa.

Instituições Acadêmicas em Ação: Alinhando-se ao Pop Ciência e Conectando com a Sociedade

Diante desse cenário, como as instituições acadêmicas, especialmente os programas de pós-graduação, podem se alinhar ao Decreto Pop Ciência? A resposta está em transformar os objetivos do decreto em ações concretas e integradas ao dia a dia da pesquisa e do ensino. Não se trata apenas de cumprir uma norma, mas de abraçar a oportunidade de tornar a ciência mais relevante e impactante para a sociedade.

É fundamental que a divulgação científica seja vista como parte integrante da formação e da atuação do pesquisador. As instituições podem, por exemplo, integrar a comunicação científica nos currículos dos cursos de pós-graduação. A criação de programas de mentoria, onde pesquisadores mais experientes auxiliam os mais novos a comunicar seus trabalhos, pode ser muito valiosa. Além disso, oferecer workshops e treinamentos em diversas ferramentas de divulgação, como blogs, podcasts, vídeos e redes sociais, capacita os acadêmicos para alcançarem públicos mais amplos.

Os projetos de extensão universitária são um canal poderoso para levar a ciência diretamente à comunidade. As instituições devem estimular e valorizar essas iniciativas. É importante também que as atividades de popularização da ciência sejam reconhecidas e recompensadas na progressão da carreira acadêmica. Apoiar a participação de estudantes e pesquisadores em feiras de ciências, olimpíadas científicas e outros eventos públicos de divulgação é outra forma eficaz de promover o engajamento e o impacto social da pesquisa produzida.

Para que a ciência seja verdadeiramente para todos, é preciso que ela seja feita por todos. As instituições acadêmicas têm um papel crucial em desenvolver ações afirmativas que garantam a participação e a permanência de grupos historicamente sub-representados na ciência e em sua divulgação. Além disso, é importante promover pesquisas e projetos de popularização que valorizem a diversidade cultural brasileira e os saberes tradicionais, estabelecendo um diálogo enriquecedor entre diferentes formas de conhecimento.

As universidades e institutos de pesquisa são fontes primárias de conhecimento confiável. Nesse sentido, capacitar seus pesquisadores e estudantes para atuar ativamente no combate à desinformação científica é uma missão urgente. Isso pode ser feito através da produção e disseminação de materiais informativos que sejam claros, acessíveis e baseados em evidências. A academia precisa ocupar os espaços de debate público com informações de qualidade, contrapondo-se às narrativas falsas e enganosas.

Iniciativas que buscam facilitar a conexão entre o conhecimento produzido na academia e as demandas da sociedade são cada vez mais importantes. Um exemplo interessante é o serviço a PONTE“, oferecido pela Anuva Institute. Esta plataforma se propõe a conectar empresas, acadêmicos, instituições de pesquisa, jornalistas e governo. O objetivo é gerar impacto social e fomentar a inovação aberta, criando um ecossistema de colaboração.

Plataformas como a PONTE podem ser ferramentas valiosas para concretizar muitos dos objetivos do Decreto Pop Ciência. Ao facilitar o diálogo e a colaboração entre diferentes atores sociais, elas ajudam a promover a cooperação mencionada no decreto. Além disso, ao utilizar o meio digital para criar essas conexões, alinham-se com o incentivo ao uso de tecnologias digitais e à busca por processos inovadores de comunicação. Para pesquisadores e instituições, podem representar um canal para ampliar o alcance de seus trabalhos e encontrar parceiros para projetos de impacto.

Rumo a um Futuro Cientificamente Popular: Conclusões e Próximos Passos

O Decreto Pop Ciência representa mais do que um conjunto de diretrizes; é um convite à transformação. Ele conclama a comunidade científica a olhar para além de seus laboratórios e publicações especializadas. É um chamado para que o conhecimento gerado nas universidades e institutos de pesquisa transborde para a sociedade, enriquecendo o debate público, inspirando novas gerações e contribuindo para a solução dos grandes desafios nacionais. As instituições acadêmicas, com seu vasto capital intelectual, são protagonistas nesse processo.

Investir na popularização da ciência é investir no futuro do Brasil. Um público mais engajado com a ciência é um público mais crítico, mais participativo e mais preparado para tomar decisões informadas. O Decreto Pop Ciência e o Comitê Pop fornecem o arcabouço e o estímulo necessários. Cabe agora a cada pesquisador, a cada estudante, a cada gestor de instituição de ensino, abraçar essa causa e trabalhar para que a ciência seja, de fato, popular, acessível e transformadora para todos os brasileiros. O potencial é imenso, e o momento é agora.

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