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A construção civil é um setor fundamental para o desenvolvimento econômico e social, mas também representa um dos principais consumidores de recursos naturais e geradores de resíduos do planeta. O setor é responsável por aproximadamente um terço do consumo global de energia e 40% do consumo de matérias-primas, além de contribuir significativamente para as emissões de CO2.
Diante desses desafios ambientais, a Economia Circular surge como uma alternativa promissora ao modelo linear tradicional de “extrair, produzir, descartar”. Este conceito propõe um sistema regenerativo, onde os recursos são utilizados de forma mais eficiente, os produtos são projetados para durabilidade e reuso, e os resíduos são minimizados ou eliminados.
Nesse contexto, o sistema construtivo steel frame (estrutura em aço) emerge como uma solução com grande potencial para transformar o setor da construção civil em direção a práticas mais sustentáveis e circulares. Mas será que esse sistema realmente adere aos princípios da Economia Circular? Um estudo recente analisou essa questão, comparando o steel frame com métodos convencionais de construção em alvenaria e concreto.
O steel frame é um sistema construtivo industrializado que utiliza perfis de aço galvanizado formados a frio para compor a estrutura das edificações. Diferentemente dos métodos convencionais, que dependem de concreto e alvenaria moldados no local, o steel frame é montado a partir de componentes pré-fabricados, permitindo maior precisão, rapidez e limpeza na obra.
Uma das principais vantagens desse sistema é sua modularidade e capacidade de desmontagem. Os componentes estruturais podem ser facilmente separados e reutilizados em novas construções, um aspecto fundamental para a Economia Circular. Estudos indicam que 99% dos componentes de aço que compõem as juntas do steel frame são fabricados a partir de sucata reciclada e passam por processos de produção com emissões de poluentes e consumo de energia drasticamente reduzidos.
O design do steel frame permite que os elementos de aço sejam montados e desmontados rapidamente, sem deterioração, para serem reutilizados em projetos alternativos. Isso promove o reuso e a reciclagem de materiais, princípios fundamentais da Economia Circular. Além disso, a leveza e precisão do sistema resultam em fundações menos robustas, reduzindo ainda mais o consumo de concreto e, consequentemente, as emissões de CO2.
A flexibilidade do sistema também facilita adaptações e reformas futuras, prolongando a vida útil das edificações. Essa característica é especialmente relevante no contexto da Economia Circular, que valoriza a extensão da vida útil dos produtos e a maximização de seu valor ao longo do tempo.
Para avaliar quantitativamente a aderência do steel frame aos princípios da Economia Circular, pesquisadores aplicaram o Índice de Efetividade de Circularidade Global (OCE, na sigla em inglês). Este índice considera diversos indicadores, como consumo de materiais, água e energia, emissões de CO2 e geração de resíduos.
Os resultados são impressionantes. Na construção de uma residência de 100m², o sistema steel frame consumiu 82,41 toneladas de materiais, enquanto o método convencional utilizou 250,80 toneladas – uma diferença de mais de 300%. Em termos de consumo de água, o steel frame utilizou apenas 3,52m³, contra 17,6m³ do método convencional, representando uma redução de 80%.
O consumo de energia elétrica também foi significativamente menor no steel frame: 300 kWh contra 500 kWh do método convencional, uma redução de 40%. Quanto às emissões de CO2, o steel frame emitiu 5.224,4 kg, enquanto o método convencional foi responsável por 9.821,5 kg – quase o dobro.
Talvez o dado mais impressionante seja relacionado à geração de resíduos. O steel frame produziu apenas 9,5 toneladas de resíduos (0,095 t/m²), enquanto o método convencional gerou 61,6 toneladas (0,616 t/m²) – uma diferença de mais de seis vezes. Isso demonstra a eficiência do steel frame na redução de desperdícios, um aspecto crucial para a Economia Circular.
Considerando todos esses indicadores, o OCE do steel frame foi de 75%, enquanto o método convencional alcançou 62%. Isso sugere que o steel frame tem maior aderência aos princípios da Economia Circular, oferecendo vantagens ambientais significativas em comparação com os métodos convencionais de construção.
Apesar das vantagens ambientais evidentes, a adoção mais ampla do steel frame enfrenta desafios importantes. No contexto brasileiro, por exemplo, os custos de construção com steel frame podem ser entre 40% e 60% mais altos que os métodos convencionais. Isso torna a escolha pelo steel frame mais desafiadora, mesmo considerando que ele pode reduzir pela metade o tempo necessário para concluir a obra.
É importante ressaltar que a Economia Circular não se baseia necessariamente em custos mais baixos, mas sim na criação e manutenção de valor por meio de práticas sustentáveis e uso eficiente de recursos. Em outras palavras, um sistema com maior aderência à Economia Circular pode não resultar em um sistema de menor custo inicial, mas pode oferecer benefícios econômicos significativos ao longo do ciclo de vida da edificação.
Outro desafio é a necessidade de mão de obra especializada. Embora o sistema steel frame empregue menos trabalhadores no canteiro de obras (381,4 contra 1.449,2 do método convencional, para uma construção de 100m²), ele demanda níveis mais altos de qualificação técnica e trabalho industrial fora do canteiro. Isso pode representar uma mudança na estrutura do trabalho, mais do que uma eliminação de empregos, mas ainda assim levanta considerações sociais importantes na transição para métodos mais industrializados de construção.
Para superar esses desafios, é fundamental adotar uma abordagem holística que considere não apenas os custos iniciais, mas também os benefícios ambientais, sociais e econômicos ao longo de todo o ciclo de vida da edificação. Isso inclui a otimização de custos através da melhoria da logística, da gestão de projetos e da redução do tempo de construção – fatores que podem ajudar a mitigar os investimentos iniciais mais elevados.
O steel frame apresenta um potencial significativo para transformar o setor da construção civil em direção a práticas mais sustentáveis e circulares. Sua maior aderência aos princípios da Economia Circular, evidenciada por indicadores como menor consumo de materiais, água e energia, menores emissões de CO2 e menor geração de resíduos, o torna uma alternativa promissora aos métodos convencionais de construção.
Para aproveitar plenamente esse potencial, é necessário o desenvolvimento de políticas públicas que incentivem a adoção de práticas circulares na construção civil. Isso pode incluir benefícios fiscais para materiais de baixo impacto, critérios de compra que favoreçam métodos sustentáveis e regulamentações que incentivem o planejamento de projetos orientados ao ciclo de vida e à eficiência de recursos.
Além disso, é essencial que profissionais e empresas do setor da construção incorporem indicadores abrangentes e reavaliem seus paradigmas na seleção de métodos construtivos. Isso contribuirá para uma transição em direção a um ambiente de construção mais sustentável e responsável.
O caminho para uma construção verdadeiramente circular ainda apresenta desafios, mas os benefícios potenciais – tanto para o meio ambiente quanto para a sociedade e a economia – tornam esse esforço não apenas válido, mas necessário. O steel frame representa um passo importante nessa direção, oferecendo uma alternativa viável e sustentável para o futuro da construção civil.
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